Greves prenunciaram as guerras de libertação

Novo livro relata os massacres em Pindjikiti, Mueda e Caçanje

Lutas laborais nos primórdios da Guerra Colonial é o título do mais recente livro de Jorge Ribeiro, cujo lançamento terá lugar na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), Rua Rodrigues Sampaio, à Praça de D. João I, no dia 26 de julho, pelas 18h30.

A apresentação do livro estará a cargo do Coronel António Marques Lopes.

Lê-se na contracapa: Em finais dos anos 50 o colonialismo português – cego, surdo e mudo – apodrecia. Apodrecia. Os povos africanos reagiam ao trabalho forçado. Os eternos escravos já decidiam fazer greves. E a resposta de Lisboa foi a pior possível: avançar com a guerra declarando que não havia guerra nenhuma. Foram essas lutas de caráter laboral que, definitivamente, em Pindjiki (3 de agosto de 1959), Mueda (16 de junho de 1960), e Caçanje (4 de janeiro de 1961) põem nos carris o imparável comboio das lutas armadas pelas independências.

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FOTO 14 – «Aldeias em greve? Apagar do mapa!» – era a ordem da administração colonial para o Caçanje

 Entre 1959 e 1961, a administração colonial portuguesa praticou três ações de terrorismo de Estado em três dos seus mais importantes territórios africanos – escreve, no prefácio desta obra, o Professor do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Ponto, Dr. Maciel Santos. Nos três casos, manifestações de trabalhadores foram criminosamente reprimidas à escala de crimes de guerra. Conhecendo o que veio a seguir, Talleyrand diria certamente que, pior do que crimes, foram erros. Em cada um desses “teatros de operações”, a formação dos movimentos nacionalistas e dos movimentos militares anticoloniais foi poderosamente acelerada depois dos acontecimentos.

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FOTO 15 – Algodão nos campos

 Lutas Laborais nos primórdios da Guerra Colonial é a versão integral da Comunicação de Jorge Ribeiro à Conferencia Internacional “O Sindicalismo e o Trabalho em África” organizada pelo Centro de Estudos Africanos durante a última semana de março de 2017.

O tema do Encontro, sem precedentes, juntou dezenas de investigadores e outros académicos, vindos de dezanove universidades, com líderes e dirigentes de centrais sindicais em vinte e seis países de África. Intervieram representantes da Organização da Unidade Africana, do Comité Económico e Sindical da União Europeia, da Organização da Unidade Sindical Africana e da Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa.

Aprofundar a História do Trabalho em África e criar uma base-comum de dados foram duas das importantes conclusões desta Conferencia Internacional.

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FOTO 16 – Algodão nos selos

Ainda no prefácio, diz o Prof. Maciel Santos: Curiosamente, a abundante historiografia sobre os nacionalismos africanos dos últimos 50 anos negligenciou o significado global desta sequência. Embora os próprios movimentos nacionalistas tivessem reconhecido a importância de cada um dos massacres para a respetiva mobilização local, o efeito de conjunto dos três processos sobre a administração colonial portuguesa tem sido deixado na penumbra.

(…) Ao apresentar as três histórias em conjunto, o trabalho de Jorge Ribeiro confirma poderosamente uma reflexão, várias vezes presente na retórica política mas poucas vezes demonstrada: nas colónias portuguesas, as massas trabalhadoras anónimas indicaram o caminho às elites – e não o contrário.


 

Lutas laborais nos primórdios da Guerra Colonial é uma edição CEAUP – Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto onde pode ser adquirido diretamente ( Faculdade de Letras do Porto – Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto) ou encomendado através do tlf.: +351 22 607 71 41 / e-mail: ceaup@letras.up.pt

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