«Sindicalismo em África» foi o colóquio do ano

Investigação e debate na Universidade do Porto

O Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto – CEAUP promoveu e organizou nas instalações da Faculdade de Letras, na última semana de Março de 2017, um colóquio internacional sobre o tema «O Sindicalismo e o Trabalho em África».

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FOTO 4 – Agricultores no Caçanje ensacam o algodão – Anos 50

O extraordinário sucesso desta iniciativa pautou-se pelo grau de adesão dos países e personalidades que se deslocaram ao Porto para participar diretamente no Colóquio, por um lado, e porto outro pelo ineditismo do encontro que antes nunca se conseguira realizar.

Durante os dias 29,30e 31 setenta e dois participantes, delegados de centrais sindicais africanas, investigadores universitários e outros académicos esquadrinharam o sindicalismo em África, apresentando estudos a debate. Os trabalhos decorreram sempre num ambiente de entusiasmo na partilha de êxitos e de problemas comuns que, nesta área se fazem sentir no continente africano.

As lutas pelos direitos laborais, os movimentos e as organizações sindicais, na sua maioria já no tempo pós-colonial, a formação das centrais e a sua articulação com as instituições internacionais – continental e mundial – proporcionaram valiosas intervenções.

Académicos vindos de universidades da Argélia (Oran, Alger 3 e Relizane), Bénin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Camarões, Cabo Verde, Etiópia, Holanda, Itália, Nigéria, Portugal (Porto, Coimbra e Lisboa), Quebeque, Serra Leoa e Togo.

De Maputo deslocou-se o Professor Doutor Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica de Moçambique.

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Estudos para a História de África – e dos PALOP

Nas oito sessões realizadas, destacaram-se «O sindicalismo autónomo na Argélia num contexto de pluralismo», «O movimento sindical na África Francófona», «Ferroviários, sindicalismo e nacionalismo nos Camarões sob a administração francesa», «Visões de modernização no Burkina Faso 1983-87», «As mulheres sindicalistas no Togo», «Sindicatos e democracia: lições da Serra Leoa», «Trabalho organizado, agitação industrial e salários na Etiópia 1960-2010», «Os sindicalismos autónomos em África: entre resistências locais e solidariedades globais», «Informatização do emprego e restrições à agregação de interesses: os sindicatos chegaram a um ponto morto?» e «Rumo a uma rede global de História do Trabalho».

Dos académicos portugueses foram apresentadas as comunicações «S.Tomé e Príncipe: que unidade sindical num cenário de pobreza, desemprego e volatização da confiança social e política?» por Augusto Nascimento (Centro de História da Universidade de Lisboa), «Antecedente histórico de sindicalismo em Moçambique na década de 1920» por Luís Carvalho (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, «Laços sociais nos trabalhadores moçambicanos das minas da África do Sul no pós-indepedência» por Maria Arnaldo Copeto (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa), «O papel dos sindicatos de Professores nos PALOP» por Rui da Silva (Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto – CEAUP), «Os fatores humanos da produtividade: Absentismo e Instabilidade da mão-de-obra em Angola e Moçambique segundo o relatório preliminar apresentado por Portugal sobre o Projeto Conjunto nº5 da CCTA», por Nuno Simão Ferreira (Centro de História da Universidade de Lisboa), «Os sindicatos angolanos vistos pela administração colonial portuguesa, 1960 – 1965» por Maciel Santos (Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto – CEAUP) e «Lutas de trabalhadores nos primórdios da Guerra Colonial» por Jorge Ribeiro (Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto – CEAUP).

As delegações da Organização de Unidade Sindical Africana – OUSA, da Organização Internacional do Trabalho – OIT, do Comité Económico e Sindical da União Europeia – UE, e da Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa – CSPLP, louvaram o elevado interesse e alcance da profícua discussão dos temas abordados e os resultados obtidos. Com o decorrer dos trabalhos, o encontro concluiu de forma espontânea que Sendo insuficiente a partilha de informações entre os centros de pesquisa e os sindicatos/confederações africanas, torna-se necessário criar uma base de dados comum.

Nunca se fez um encontro destes – e sobre isto

Na sessão de abertura falaram a Diretora da Faculdade de Letras, Professora Fernanda Ribeiro, em representação da Reitoria da Universidade do Porto, e o Secretário-Geral da Organização de Unidade Africana – OUSA, Arezki Mezhoud. No encerramento discursaram, pela UE, David Soares («Cooperação da União Europeia com os Países Africanos»), Catarina Tavares (PALOP), Joana Gomes (OIT) e Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP que, com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a UniNorte, a Câmara de Gaia e a Cooperativa Social Povo Portuense, fundada em 1893, apoiaram este Colóquio do CEAUP.

Pela importante representatividade dos sindicalistas (Centrais e individualmente) e a qualidade dos académicos portadores de excelentes comunicações, «O Sindicalismo e o Trabalho em África» foi considerado um êxito. Participaram 25 centrais sindicais de vinte países: Angola, Marrocos, Egito, Guiné-Conakri, Nigéria, Mauritânia, Camarões, Guiné-Bissau, Gana, Gabão, S. Tomé e Príncipe, Sudão, Uganda, República Democrática do Congo, Burundi, Ruanda, Moçambique, África do Sul e Portugal.

O acontecimento que… não o foi

A organização (CEAUP) divulgou o Colóquio junto de toda a Comunicação generalista durante as semanas que antecederam o Colóquio, fazendo acompanhar as notícias de convites para estar presente em qualquer das sessões, disponibilizando todas as facilidades para, por exemplo, entrevistar participantes, estrangeiros ou portugueses. O CEAUP nunca foi contactado por nenhum dos Media portugueses. Não recebeu nenhum e-mail. Nem um telefonema – antes, durante ou depois do Colóquio.

O silêncio, nestes casos, funciona como censura.

Jorge Ribeiro

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